30.06.2019

Me encontro pensando na dificuldade que é para o homem diferenciar aquilo que é real daquilo que não é real. Por vezes as memórias de um passado mais reconfortante me atormentam como que fantasmas insalubres que cospem na minha jaz cova que em sepulto me deito. O arrastar dos dias se assemelha ao caminhar lento e vagaroso dos que vagueiam ao anoitecer de uma cidade turbulenta. Breves passos melancólicos e inexpressivos em meio ao caos que é o progresso cintilante da fagulha acessa da prosperidade humana.
Agora, como uma poeira fria de fim de tarde que assola o teto dos que ainda olham para o céu, sinto curvar diante mim o turvo e mórbido gosto do futuro incerto. O barulho dos corvos e os dentes afiados dos lobos que devoram suas presas até os ossos são a mais pura imagem da carnificina que restou perante aquilo que um dia pode ser chamado de civilização. Mas ainda que eu tente me agarrar aos padrões que outrora guiavam a locomotiva dessa estrada sem fim, no final dos dias, ao receber os olhares da amante lua, trêmulo anseio por uma queda diante este precipício.

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